domingo, 7 de março de 2010

AS NUVENS DE ALGODÃO

Tento tocar a imensidão
Resumida em uma nuvem de algodão
Algodão que faz meus sonhos crescerem
Ao mesmo tempo
Que faz a ilusão acender.
Sonhos em tons variados
Cheios de amores, desejos e anseios...
Sabores, delícias e poesia.
Elevo o copo...
Por pouco não alcanço o céu
Quando vou tocá-lo
Desabo na realidade
Não tenho nuvem de algodão...
Sonhos coloridos...
Amores...desejos...anseios...
Não tenho motivos
Apenas coração vazio
Que pulsa no peito esperançoso
Por um dia alcançar
As nuvens de algodão.

MAS ME DISSERAM

Eu sonhava poder sonhar,
Sorrir e sempre abraçar,
Aquecer os outros com o meu calor
Ajudar a transformar a tristeza em paraíso
A lágrima num singelo e tímido recomeço...
Dar de comer aos pássaros
E alimentar os animais.
Enxergar a alma além de um rosto
A bondade além de um gesto
Expirar e deixar o prazer da vida flutuar por toda a humanidade...
Lutar para no suor sentir a recompensa
De ver no futuro os olhos brilharem
De amor
De satisfação
Do cheiro de se estar vivo!
Abrir os braços e gritar:
Gritar e gritar...
Mas me disseram,
Na porta da casa
Que meu calor mal a mim aqueceria,
Que sem lágrimas seria ainda mais dolorosa a dor.
Que o egoísmo já acobertou os homens
E o ar sufoca e destrói...
Mas me disseram
Na porta da casa
Que...
Era sensato desistir.

Nelly Garcia